



O rosto lembrava um pouco o da Fernanda Lima. Ela sabia disso. Como a outra (a Lima), caprichava nos biquinhos, beicinhos. Não dava outra. As duas tinham bocas de chupadeiras. Fazia caras e bocas e era impossível olhá-la sem imaginá-la fazendo um chupisco. Mas, vá lá. Material para punheta. Parecia estar sempre disposta a abocanhar. Não sei. Fazia onda quando tomava chimarrão. Gostava de desfilar no Brique da Redenção e Usina do Gasômetro com uma garrafa térmica e a cuia de chimarrão. Era um show.
Encontrei-a no parque. Desfila, melhor, flutuava com shortezinho de malha azul. Apertadinho, marcando a xoxota e mostrando que usava uma pequena calcinha enfiada no rêgo. A bundinha, nem se fala. Um tesão. Pedia. Estocadas e lambidas, tapas e cuspidas. Ela me viu e parou sorrindo. Na mesma hora pensei em lambê-la.
- Oiii...
O pôr-do-sol do Guaíba metia a cara por ali.
- Estou dando minha caminhada, e você? - disse ela.
- Tô por aí. Só zanzando um pouco.
- Você viu que lindo o pôr-do-sol... - disse ela entusiasmada.
- É.
Porra, como pode existir uma coisa dessa? Um corpo assim?
- Vamos sentar um pouco - disse ela. Procuramos um banco e sentamos. Ela, ali, na minha frente, as pernas entreabertas e aquele volume lindo ali no meio. Falava com desenvoltura, veio com um papo de bares legais. "vai tomá no cu", pensei. Depois fez uma dissertação entusiasmada sobre a Feira do Livro de Porto Alegre, e os livros (dois) que comprou. A Feira eu tinha achado uma merda. Atrolhada de gente, uma manada bovina que estava lá mais para desfilar. Os livros caros e o cacete... Agüentei ela falar dos livros, um de uma escritora portoalegrense metida a "cool", falta de pau. O outro livro era sobre os botos cor de rosa. Achei mais interessante. Um boto que saí da água para seduzir e comer mulher. Pensei em perguntar se ela ficou molhada ao ler o livro, se teve vontade de foder com seu peixinho de aquário. Mas, não.
- Olha - eu disse -, a natureza é a coisa mais perfeita que existe.
- É... Também acho - respondeu ela. O beicinho pedindo um pau.
- Teu corpo. Nunca vi nada igual. Se Deus existe teu corpo é a obra de arte dele.
- Brigada...
- Deixa eu lamber teu umbigo.
- Quê?...
- Isso, deixa eu lamber teu umbigo e teu cu.
- Nossa. Você tá louco?
- Essa tua boca me deixa louco. Teus peitinhos, tua barriguinha, tua bundinha, tua buceta.
- Pára com isso.
- E se eu for um boto cor de rosa? Você deixa?
- Se você fosse eu deixava. Mas você não é!
- Faz de conta.
- Não e não.
- Tá bom.
- Vamos mudar de assunto.
Ela bebeu um gole de água. Olhei para o Guaíba, umas linhas se misturavam no horizonte. Vermelhas, amarelas, laranjas. Poxa, nada de botos. Apenas eu e ela sentados ali. A noite anunciava-se vazia, triste. Olhei para ela, depois pro Guaíba.
- Um boto cor de rosa não te foderia como eu.

O velho Frank desistiu de tudo
apenas o branco
a neve
o caminho a percorrer sem saber onde chegará
o velho Frank pintou seu guarda-chuva de azul
acostumou-se com a solidão
mas não com este mundo SEM COR
Taí, descobri essa caricatura do velho safado no blog www.zonabranca.blog.uol.com.br , legal pra caramba!

Segundas, minha coluna no Bagatelas (www.bagatelas.net). Logo logo, saí a Bagatelas revista com o meu conto O Vômito do lagarto............................................
Mais um pouco, mais um pouco...
o mar está alto
garrafas?
beijos molhados.

gosto de lamber os dedos - disse ela, levando dois dedos à boca.
ssslllééépppp!!!
é bom - afirmou ela chupando os dedos com a boca úmida. - tão bom!!...
janete entrou, levantou a saia, baixou a calcinha e atirou-se no sofá.
deitada de bruços me olhou e sorriu.